



Na noite da última quarta-feira (3), o Teatro Belmira Vilas Boas foi palco da solenidade do Prêmio Maria Bernadete de Andrade Silva 2025, promovido pela Prefeitura de Muriaé e pela Fundarte. O evento reuniu autoridades, representantes da cultura e comunidade em geral, para celebrar iniciativas e práticas de preservação do patrimônio cultural da cidade.
Entre os destaques da cerimônia esteve a homenagem à Escola São Paulo, na categoria Patrimônio Material – Bens Tombados. Fundada em 2 de fevereiro de 1913, a instituição foi reconhecida pela sua contribuição centenária à educação e pela preservação de seu prédio histórico, tombado no âmbito municipal em 2007.
O diretor da Fundarte, Sandro Areal Carrizo, entregou a homenagem ao professor José Nicodemus Couto, atual responsável pela direção da escola. Em seu discurso, Nicodemus destacou a importância da valorização da memória local:
“Receber este prêmio é um reconhecimento não apenas para a Escola São Paulo, mas para todos que acreditam que preservar a história é também educar para o futuro. O patrimônio não é só um prédio ou um documento, mas sim a identidade de um povo que se mantém viva quando é lembrada, cuidada e transmitida às próximas gerações.”
Ele ressaltou ainda o papel da escola ao longo dos anos:
“A Escola São Paulo formou inúmeras gerações de muriaeenses e teve entre seus alunos nomes que marcaram a história do Brasil, como o ex-vice-presidente José Alencar. Nosso compromisso é continuar esse legado, mantendo viva a tradição, a qualidade do ensino e o respeito ao patrimônio cultural que representamos.”
O evento, que leva o nome de Maria Bernadete de Andrade Silva – servidora que dedicou quase duas décadas à Fundarte e ao fortalecimento das políticas culturais em Muriaé –, reafirma o compromisso da cidade com a preservação de sua memória e história.
Além da Escola São Paulo, outras iniciativas culturais também foram reconhecidas durante a noite, fortalecendo Muriaé como referência em valorização e proteção do patrimônio cultural.
Biografia da Escola São Paulo
A Escola São Paulo, fundada em 2 de fevereiro de 1913, é uma das instituições de ensino mais tradicionais de Muriaé, reconhecida por sua contribuição à educação e pela preservação de sua história. Seu prédio foi tombado como patrimônio cultural municipal em 10 de abril de 2007, por meio do Decreto nº 3.180/2007.
Inicialmente chamada Atheneu São Paulo, a escola foi idealizada pelo Dr. Mário de Ururahy Macedo, odontólogo formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1909) e bacharel em Ciências Físicas e Matemáticas pela Escola Livre de Engenharia do Rio de Janeiro. Desde os primeiros anos, ofereceu ensino primário e fundamental, sempre com ênfase em educação física, cívica e religiosa, valores que marcaram sua trajetória.
O edifício histórico que abriga a escola foi construído em 1910 por Vicente Masini e faz parte do conjunto arquitetônico da Praça Coronel Pacheco de Medeiros. Nele funcionaram, inicialmente, o Gymnásio e a Escola Normal São Vicente de Paulo.
Em 24 de fevereiro de 1944, o imóvel foi adquirido por Rafael José de Oliveira Barreto, que, num gesto de generosidade e visão, entregou-o à Diocese de Leopoldina para assegurar a continuidade da missão educacional voltada à juventude de Muriaé e região.
Ao longo de mais de um século, a Escola São Paulo tornou-se referência na formação de gerações de muriaeenses. Entre seus ex-alunos ilustres está José Alencar Gomes da Silva, que viria a ocupar o cargo de Vice-Presidente da República.
Graças à consciência preservacionista de seus gestores, o prédio histórico da escola mantém-se conservado até os dias de hoje, sendo um símbolo da memória e da identidade cultural de Muriaé.










